Como é o projeto que tenta popularizar o rugby nas escolas públicas paulistanas

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Updated: janeiro 27, 2017

Helbert Ferreira tem 20 anos é árbitro auxiliar da Federação Paulista de Rugby. Aos 14, ele apitou sua primeira partida. Ferreira foi aluno de uma das primeiras turmas do projeto Rugby Cidadão, que leva o esporte aos estudantes da rede pública de ensino da cidade de São Paulo.

Ferreira teve contato com o esporte aos 13 anos, quando ainda era aluno do CEU (Centro Educacional Unificado) São Mateus, na zona leste. Um ano depois, ele se tornou árbitro. “O rugby para mim é um meio de vida. Ele encaminha a vida, ensina respeito, lealdade e como lidar com pessoas”, disse ao Nexo.

A modalidade praticada nas escolas paulistanas é o “Rugby Tag”. Ele é diferente do tradicional porque pode ser praticado em piso rígido (o rugby é um esporte de campo gramado) e também porque, nele, o contato físico não é necessário. Assim, homens e mulheres podem jogar juntos.

O Rugby Cidadão foi criado em  2009, iniciando suas ações nos CEUs da cidade de São Paulo no ano seguinte. A Associação Hurra!, a organização não-governamental responsável pelo projeto atende mais de 1.700 pessoas, entre crianças e jovens, com o objetivo de “disseminar o rugby como esporte de formação de valores para a transformação social”, segundo disse a assessoria de imprensa da entidade ao Nexo.

Fabio Pessoeti, hoje cursando o 3º semestre de Educação Física, foi um dos estudantes que participaram do projeto. Ele contou ao Nexo que além de ensinar o esporte para jovens de CEUs e EMEFs, a ong também os auxilia caso optem por seguir carreira como treinadores, árbitros e atletas.

Pessoeti, que hoje está com uma das pernas imobilizada após romper um ligamento, explica que a associação o ajudou com os custos médicos por meio de uma parceria com o Instituto Vita, uma clínica especializada em ortopedia e reabilitação. “Eles me deram bastante suporte, foram os primeiros a correr atrás para que eu pudesse fazer os exames e operar, no mês que vem”, disse.

Para participar do projeto é necessário ser estudante de um dos CEUs ou de escolas municipais de ensino fundamental atendidas.

A ONG é financiada pela Lei Paulista de Incentivo ao Esporte e pela Lei de Incentivo ao Esporte. Entre os parceiros da entidade estão a companhia aérea Latam (antiga TAM), o banco ABC Brasil, o Governo Federal e a Ticket.

A popularização do rugby no Brasil

A iniciativa na periferia de São Paulo vai na direção da popularização do esporte no país. O rugby não é um esporte tradicional no Brasil, foi criado na Inglaterra, no século 19 e ganhou popularidade com sua difusão nos Estados Unidos. Estima-se que, no mundo, o esporte seja praticado por sete milhões de pessoas. No Brasil, os números mais recentes (de 2012) contabilizavam 30 mil praticantes.

Nos últimos anos, no entanto, a seleção feminina de rugby – uma das melhores do continente – capitaneou o interesse pelo esporte do país.

Em 2016, o Brasil foi sede da primeira edição do “Americas Rugby Championship”. A competição trouxe para o país as seleções uruguaia, americana, argentina, canadense e chilena para disputar o campeonato de moldes similares aos europeus e promover o esporte.

A Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, também marcou a estreia da seleção brasileira nos Jogos. O time participou da estreia da modalidade Rugby Seven (disputada com sete atletas em cada time) nas Olimpíadas. Os brasileiros não ganharam nenhum jogo e a seleção está na terceira divisão do rugby mundial. Mas a Federação Internacional de Rugby aposta nos Tupis (como é conhecida a seleção brasileira) para a disputa da segunda divisão em 2017.

Com o fim dos Jogos Olímpicos, a federação prometeu manter investimentos no Brasil para a promoção do esporte.

Entre 2010 e 2011, a Topper, empresa especializada em materiais esportivos, produziu uma série de comerciais com tom humorístico falando sobre a prática do esporte e o potencial brasileiro na modalidade.

 

Fonte : https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/22/Como-%C3%A9-o-projeto-que-tenta-popularizar-o-rugby-nas-escolas-p%C3%BAblicas-paulistanas