Entrevista exclusiva com Diego Lopez (jogador da seleção brasileira de rugby e do Pasteur AC

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Updated: agosto 27, 2013
O Rugby, mesmo ele crescendo bastante no país, ainda é um pouco desconhecido por muita gente. O que te motivou a iniciar a prática deste esporte?
Comecei a praticar Rugby dentro de meu colégio, o franco brasileiro Liceu Pasteur , em um projeto  do clube Pasteur Athletique Club em voltar a suas origens, e reorganizar as categorias de base do clube. isso foi no ano de 2002, quando tive o 1o contato com o esporte e não larguei mais.

Esporte símbolo da fraternidade e da coragem na Europa, o que falta para elevar o Rugby como um dois maiores esportes nacionais?

E uma cultura multi esportiva mais forte e com mais apoio no país, o futebol é enraizado demais como 1o esporte e pouco se dá de atenção tanto financeira quanto de mídia às demais modalidades. O Brasil, por ser um país de proporções continentais, tem material humano para ser bem difundido em várias modalidades, o que ainda não acontece, mas já vem melhorando com o mais fácil acesso às mídias digitais e jogos.

A seleção brasileira se posicionou como a quarta seleção do continente sul-americano. Você acha a ideia de jogar um dia a Copa do Mundo possível?

Sem duvidas, acredito que sim, é possível. Na verdade, não nos posicionamos fixamente, estamos no meio de um processo maior, saímos de uma realidade completamente amadora e desconhecida, ao país que irá sediar a volta da modalidade nas Olimpíadas. Acredito que nossa evolução irá seguir e que nos próximos anos poderemos ter sim Os Tupis numa RWC, mas é claro que para isso há de ser ter um esforço enorme aplicado no XV juntamente ao 7s.
Você pensa que uma das soluções do desenvolvimento do Rugby brasileiro pode ser o intercâmbio de atuação em outras ligas, como Europa ou Nova Zelândia?

Com certeza sim, os jogadores que atuaram fora sempre possuem uma experiência a mais e trazem uma bagagem extra quando voltam, o que acontece atualmente é que as ligas europeias estão cada vez mais cheias de neozelandeses sul-africanos e todos gringos das melhores safras buscando esse mercado. O brasileiro, jogador de rugby, ainda não tem seu perfil exposto no cenário internacional de maneira a aparecer para estas ligas, mas acredito que quando uma ou duas portas se abrirem, esse será um caminho interessante para nosso futuro.

 

Como é o dia a dia de um jogador da seleção brasileira de Rugby?

Atualmente nosso grupo é muito heterogêneo, há jogadores que trabalham e treinam, outros que estudam e jogam, e alguns mais dedicados integralmente , que são mais raros. Normalmente temos pelo menos uma sessão diária física a cumprir, mais o treino de Rugby dos clubes, aos finais de semana quase que sem exceção quando não há rodadas dos nacionais, e às vezes quando há, nos juntamos em São Jose dos Campos no CT das Seleções Brasileiras para treinar coletivamente.
Você foi capitão da seleção brasileira durante o 2013 Summer na Rússia. Qual foi o seu sentimento de participar desta competição?

Para mim foi uma experiência muito enriquecedora e gratificante na minha carreira, o Universiades é um evento de proporções gigantescas, só ficando atrás a uma Olimpíadas mais sendo bem similar, foi uma das raras edições onde o Rugby esteve presente e com chances de demorar para voltar, já que o quadro de esportes foi diminuído, poder liderar os meus irmãos em campo nessa ocasião foi especial.

 

Jogador do Pasteur AC (SP) e líder do campeonato, o que você acha da evolução do Super 10?

Temos um campeonato interessante este ano, muito equilibrado por mais da metade dos clubes, acredito que temos uma clara evolução e equilíbrio da competição. Hoje somos lideres mais temos um trabalho duro pela frente até as finais, vamos passo a passo, os outros times também tem evoluído e tenho certeza que as finais serão jogassos!

Quem foi o melhor jogador que você já enfrentou?

Difícil citar um nome especifico, mas uma grande equipe que entrei em campo contra com vários nomes fortíssimos do 7s foram os Samurais , no Giro pela Inglaterra que fizemos pela Seleção de 7s em 2011 e tivemos a oportunidade de mostrar nosso Rugby no Templo do Rugby, Twichenham.

Quais são os seus objetivos no curto prazo com a seleção e seu clube?

Ajudar meu clube a ser campeão das próximas competições e ajudar e integrar a seleção de 7s para que possamos representar nosso país honrosamente em 2016.

Os Jogos Olímpicos do Rio em 2016 são, com certeza, seu maior sonho esportivo. Como você imagina essa competição? O que te motiva a continuar na modalidade?

Tenho esse objetivo com muito foco em minha visão, trabalhei e irei trabalhar ainda mais duro para que possa chegar lá e ajudar meu país nessa ocasião. Será histórico pelo esporte e para o país, oportunidade de plantarmos a semente do Rugby em muitos brasileiros. Grande motivação por si só.
Para quem não conhece o Rugby, como você pode descrever a sua posição de “ponta”? (jogo de Asa no XV e Pilar no 7s

Atuo como um forward, no XV sou Asa enquanto no 7s pilar, em ambos tenho grande foco na captação e retenção da posse de bola nas formações fixas e na ajuda constante e apoio ao time para penetrar a defesa adversária, assim como agir como um forte defensor sem a bola.
Até hoje, qual foi o melhor momento da sua carreira esportiva?

Tiveram vários, acredito que o PAN 2011 e o Universiades esse ano foram datas especiais.
O que você acha da atuação interessante da seleção feminina de Rugby?

As Meninas vem mostrando um grande trabalho, fruto que vem colhendo de muito suor ai, estão sempre ali nas 10 melhores nações feminina. Recentemente tivemos a ótima noticia que São Paulo irá sediar uma etapa do próximo Women Sevens World Series , em fevereiro de 2014, com certeza inspirará nossas guerreiras a fazer um bom papel em casa! O projeto da CBRu  para o Rugby feminino é muito grande e forte, o foco deles sem duvidas será buscar uma medalha em 2016.

Para nossos leitores, como você aconselharia os jovens a começar na prática do Rugby?

Todos devem buscar praticar uma modalidade esportiva, sem exceção, o Rugby sempre me atraiu pela maneira como acolhia os jogadores como uma grande família e por ter espaço para todos, desde o baixinho até o gordinho e o gigante. Todos deveriam ao menos alguma vez treinar com um time para entender por que nossa paixão por esse esporte é tão grande.

 

FONTE : http://www.sportvc.com/news/entrevista-exclusiva-com-diego-lopez-jogador-da-selecao-brasileira-de-rugby-e-do-pasteur-ac#.Uhy8gxsvmSo