‘Temos o desafio de fazer do rugby um modelo de excelência’, diz Sami Arap

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Updated: novembro 20, 2012

Trazido para o Brasil pelos ingleses em meados do século XIX, o rugby começou a ser praticado como um jogo restrito, limitado a pequenos grupos, diferentemente do futebol, que também chegou na bagagem dos imigrantes da Inglaterra, mas felizmente, foi disseminado por aqui. No caso do rugby, faltava a descoberta e o encantamento que alcançara o futebol. Na rota de 2016, ele se expande, ganha exposição, investimento e força para chegar bem perto do esporte que é preferência nacional.

– A ideia é fazer do rugby o segundo esporte mais praticado do Brasil em 2030. A mentalidade brasileira ainda é muito a curto prazo. No esporte, se você pensa a assim, a chance de ser bem-sucedido é bem pouca. É preciso maturação, mais tempo para desenvolvermos a estrutura. – disse em entrevista exclusiva ao ahe! Eduardo Mufarej, presidente do GRAB (Grupo de Apoio ao Rugby Brasileiro) e do Conselho Consultivo da Confederação.

Eduardo é um dos que estão do outro lado do campo. Ele não joga, mas contribui com as condições para que o jogo siga até o apito final. Como apoiador, ele acredita que todos ganham e que o investimento não proporciona apenas os benefícios financeiros.
– Ele também cria contrapartidas para a organização. O time passa a ter sócios, e isso importa a todos e ajuda a buscar resultados – ressalta, completando que a meta serve para as seleções masculina e feminina.

 

Fernando Portugal, capital da seleção - Divulgação – Saímos de uma realidade onde pagávamos todas as despesas para poder treinar e jogar com a seleção. O fato de hoje possuirmos um CT fixo e todos os profissionais necessários para o desenvolvimento da equipe foi um dos principais pontos para esse crescimento na qualidade – conta em entrevista ao ahe!Fernando Portugal, capitão da seleção brasileira, um dos dois jogadores que recebem suporte da marca Topper, principal patrocinadora da modalidade.

Retornar à Olimpíada em 2016 pode ser considerado o motor do desenvolvimento e o principal motivo para realizar uma revolução na modalidade que fez parte dos Jogos Olímpicos até 1924, em Paris. Estar na Rio 2016 atrai a atenção de investidores, patrocinadores e curiosos que, a cada dia, enxergam com mais nitidez benefícios por vincularem seus nomes e marcas ao esporte.

– Ainda deveremos crescer muito em qualidade do jogo propriamente dito, para podermos aproveitar esta exposição. Brasileiro gosta de ganhar, gosta de ser o melhor. Então temos que trabalhar duro para além de existirmos, sermos competitivos – afirma Fernando.

Ensinar o jogo ao Brasil

Feliz com os resultados que o rugby vem alcançando, Sami Arap, presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), conta em entrevista ao ahe! que possui um programa de desenvolvimento para ensinar o rugby à população brasileira, e uma forma de fazer isso seria inserir o esporte em escolas públicas.

No mês de maio, por exemplo,  a CBRu realizou um curso de capacitação em Tag Rugby (conhecido por ser uma versão light do esporte, onde o contato físico não é privilegiado e, um empurrão pode ser considerado falta) para 47 professores da rede municipal de Jacareí, cidade do Vale do Paraíba (SP).

– Até 2016, temos o desafio de fazer com o que as seleções tenham um desempenho fantástico, além de criar ídolos e grandes clubes e fazer da confederação um modelo de excelência – afirma, completando que é necessário a combinação de interesses e de entusiastas que acreditem neste esforço. Para isso, a Federação Internacional, o Comitê Olímpico e o governo precisam de sintonia.

 

Programa para apresentar o rugby às crianças, em Jacareí - SP - Divulgação– Temos um trabalho de equipe com escolas municipais, clubes que não têm o rugby e que o queiram. Vamos buscar na base as futuras estrelas do esporte. O Brasil foi abençoado com a Olimpíada, o que propiciou o desenvolvimento e o interesse nos esportes, não apenas no rugby, mas em outros também.

Do outro lado do campo

Quem investe não busca apenas estampar o nome. Essa relação é mais intensa e leva em conta fatores que busquem identidade entre o esporte e a marca. A associação com a batalha e a união foram as justificativas para que o principal patrocinador buscasse a modalidade, antes mesmo de ela ser reinserida nos Jogos 2016. Quem conta os detalhes ao ahe! é Fernando Beer, diretor de artigos esportivos.

 

– Escolhemos o rugby porque gostamos muito da proposta que chegou a nossa mesa. A confederação junto com os jogadores nos mostraram uma ideia muito boa de trabalho, uma comunicação que queríamos transmitir ao Brasil. Um mês depois, ficamos sabendo que o rugby tinha virado esporte olímpico. Tivemos sorte! – comemora o executivo, repetindo que a marca tem tudo a ver com o rugby.

 

– A gente usou o rugby para chamar atenção. Fizemos o filme para internet e tv a cabo. Hoje, quase todos os estados já praticam o esporte. Desta forma, contribuímos para a melhoria e a expansão do esporte, que é o segundo mais praticado em todo o mundo.
Fernando acredita que o esporte precisa de uma infraestrutura. Antes, os jogadores precisavam ir à Argentina para jogar, por falta de torneios aqui. Com a exposição, além da Topper, ele menciona que a modalidade alcançou mais 9 patrocinadores como Heineken, Jac Motors e Delloite. Apesar do cenário positivo, ainda há um desafio para o apoiador Eduardo: fazer com que as crianças tenham acesso à modalidade e que elas incorporem o esporte em suas vidas.

– Nosso objetivo é que o Brasil esteja no primeiro escalão do rugby mundial. Todo mundo vive de resultado, mas este, sem consistência, nao chega a lugar algum.

Balanço de 2012

Como capitão da seleção, Portugal destaca que a estrutura das equipes brasileiras melhorou demais, assim como o investimento em competições. Para ele, os jogadores poderiam realizar os melhores treinos do mundo, com a melhor estrutura, mas precisavam jogar contra equipes mais fortes.

– No entanto, as condições para os atletas ainda são amadoras. Somos atletas em tempo integral e não somente nos dias de treinos com as seleções. Se quisermos bater de frente com profissionais, temos que ser profissionais. Este será o ponto que poderá definir o sucesso competitivo.

 

Aprendendo com os melhores

O investimento desta nova e gloriosa fase do rugby proporciona um intercâmbio em vigor do outro lado do mundo. O treinamento com o Crusades, time da Nova Zelândia, tem o objetivo de transmitir o conhecimento do país que se orgulha por ter o “All Blacks”, uma das melhores seleções do mundo.

 

Seleção masculina em treinamento com o Crusades, na Nova Zelândia - Divulgação

A equipe feminina treinará com a equipe neozelandesa até o dia 26 de novembro em Christchurch. De lá, seguirá para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde participará da primeira etapa do Circuito Mundial de Rugby Sevens Feminino do IRB, que será realizada de 27 de novembro a 2 de dezembro.
– A parceria está sendo um ponto muito proveitoso deste investimento. A mudança de comissões técnicas sempre causa um desconforto positivo nos atletas. Os novos treinadores sabem muito de rugby e conseguem enxergar e transmitir os conceitos técnicos e táticos com uma simplicidade que nos permite aprender mais e melhor – conta o capitão, completando que o ponto que mais chamou sua atenção foi a proposta de reflexão e discussão sobre o jogo.

 

– Além de muito trabalho físico e de campo, temos que estudar e debater muito sobre o rugby. Em pouco tempo, pudemos notar um bom avanço na qualidade do nosso jogo e, o que é mais importante. Hoje, não dependemos de alguns poucos jogadores talentosos. Atualmente, dentro do sistema de jogo, todos são importantes e ninguém é insubstituível.

 

Fonte : http://www.ahebrasil.com.br/noticias/2012/11/20/rugby/temos+o+desafio+de+fazer+do+rugby+um+modelo+de+excelencia+diz+sami+arap.html